segunda-feira, 18 de agosto de 2014

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS OU VERDADE INCÔMODA?

Muitos anos vividos no ambiente da aviação permitem enxergar certas discrepâncias nos relatos desse "acidente" que mudou o cenário político nacional. Aliás, pelo que foi possível saber, mudaria ainda mais profundamente caso estivesse a bordo aquela que, à última hora, desistiu de embarcar... Teria sido algum resquício dos tempos, digamos, mais vermelhos que sopraram-lhe idéias ou tudo não passou de fortuna coincidente? 

Claro que surgirão as mais incríveis teorias, haverá fumaça por todo lado e, também, doses maciças de fatos mal explicados ou nem isso. De qualquer maneira, uma coisa é certa: poucos saberão o que realmente ocorreu e esses nada dirão por décadas. Afinal o que se pode esperar de um país que até hoje não conseguiu saber o que passou com um atleta na França, nem mesmo pelo próprio? Os corredores do poder e as paredes palacianas desde sempre fazem sepultas as verdades incômodas, tanto quanto são berçário de teorias conspiratórias, muitas delas tornadas ações à luz do dia e sob os auspícios da lei; aí estão os mensaleiros libertos e sorridentes em sua rápida mudança de regime tão logo foi eliminada a resistência solitária de um raro Quixote. 

Uma caixa-preta sem gravação! Mais estranho ainda, encontrada em tempo recorde depois que um avião explode antes de cair, mas de tal forma que nada sobra, nem mesmo arcadas dentárias. Por alguma razão imagens de outras tragédias políticas obscuras vêm à mente... Celso Daniel, por exemplo. Talvez seja mero acaso, mas as digitais de uma certa estrela aloprada parecem surgir de novo e malfeitas... 

Uma pergunta paira no ar - ao contrário da aeronave que deveria ali sustentar-se - e incomoda o raciocínio político: uma radical traída ontem, hoje tomada de fervor religioso e ecológico, sentirá um certo temor pelo amanhã ou apenas terá a certeza de boa colheita com os amigos de sempre? Se de fato distante de suas raízes e até por tão bem conhecê-las, o normal seria que recuasse. Se verdadeiramente aspirar a derrota daqueles que deixou para trás, sua missão seria tornar una a força de oposição, nunca seguir dividindo-a. A questão é conhecer propósitos neste cenário político torto onde quase todos se afirmam à esquerda e o pensamento liberal é rotulado de fascista. A questão ainda maior é saber o que deseja essa herdeira em cujo DNA seguem ainda indeléveis as marcas petistas agora agravadas por sua eco cruzada e seu palavrório incompreensível. O que esperar de quem apóia o infame Decreto 8.243? Ou de quem defende usinas a fio d'água em detrimento das mais eficientes que dispensam a boa vontade de São Pedro? Com pouca margem de erros, a sensação é de que aí só existirá mais do mesmo e nem a cor será diferente na bandeira ideológica... 

Há espaço para um movimento que reconduza o país ao viés democrático que permitiu os poucos avanços institucionais que vemos esfarelar-se nessa aventura petista; há, ainda, vestígios de lucidez e de algumas luzes republicanas na herança genética do outro neto que poderiam acolher o mais tímido sinal, a mais leve brisa de esperança que trouxesse a moralidade de volta à ordem do dia. Imaginar o Brasil abraçado aos devaneios cubano-bolivarianos da malta vermelha é vislumbrar a certeza da falência absoluta de valores e ver triunfar a mentira, o atraso, a tutela anacrônica do totalitarismo, a metodologia da ignorância como ferramenta de controle, a esmola como benesse, o caos pintado de paraíso. 

Enquanto a sociedade da excessão, esse contingente espremido da classe média real que se mantém às margens da riqueza, mas a sustenta e financia à custa de seu trabalho diário, mantiver seu estupor conformista e permanecer calada diante da rapina despudorada desses que crêem poder "fazer o diabo" sem enfrentar resistência, nada mudará. 

O passado já registrou mudanças no comportamento coletivo. A história recente mostra o quanto é forte a voz das ruas quando ocupadas por quem pensa sem as amarras da propaganda, por quem sente no bolso o preço da fantasia que lhe é vendida e vê seu futuro cada dia mais distante, cada dia mais irreal. Mais do que nunca é hora de reagir e retomar as rédeas da vida, exigir o que deveria ser dado pelos impostos pagos, poder sair sem temer pela vida nas cidades já sitiadas há muito pelo crime impune que se espelha na indecência palaciana. É hora de mudar os rumos desse país abençoado antes que seja tarde demais e o amanhã já não exista com liberdade. 

terça-feira, 5 de agosto de 2014

FALTA VISÃO...PODIA E DEVIA ESTAR MUITO MELHOR

Cada vez mais me surpreende a falta de visão dos homens públicos em nosso país. Digo isto não apenas por benevolência, afinal poderia tranquilamente dizer que lhes falta mesmo caráter, mas porque entendo que até àqueles de moral duvidosa é possível agir com uma relativa visão do amanhã, nem que seja para usufruir de dividendos políticos.
 
Certa feita desabafei nas linhas deste blog que cidades têm vida e características próprias e tendem a crescer ou estagnar conforme sua sociedade se organize em torno de visões e vocações.
 
Minha volta ao tema se dá quando percebo em nosso município um certo quê de regozijo de alguns diante de um flagrante mau uso de recursos que um olhar distraído ou pouco lúcido pode entender como iniciativa positiva, progresso e até mesmo boa governança.
 
Maricá assiste, nos últimos meses, a uma sanha desenfreada de capeamento asfáltico de suas vias internas, a maior parte delas operada e financiada pelo Governo do Estado e capitalizada pela prefeitura como mérito próprio. É inegável o conforto de poder chegar em nossas casas sem o sofrimento dos buracos e poeira das vias de terra batida, mas da mesma forma não se pode deixar de perceber tanto a tibieza no preparo dessas vias para receber o asfalto quanto a má escolha do revestimento em um município totalmente carente de infraestrutura para captação e escoamento de águas pluviais. Só para citar um exemplo simples, na Barra de Maricá apenas no entorno da pracinha de Zacharias, ali entre as Ruas 1 e 2, há a instalação de uma tubulação, totalmente subdimensionada, diga-se. De resto, como já aconteceu em outras áreas, todas as treze ruas vêm sendo capeadas sem qualquer preocupação com o período de chuvas que se aproxima. Imagino que os residentes na parte baixa da região já devem estar preocupados com a inundação de seus terrenos.
 
Ah! Dirão alguns. Asfalto é progresso! Não necessariamente. O calçamento dessas vias internas com paralelepípedos ou blocos cimentícios inter travados possibilitaria igual conforto e ainda permitiria a rápida absorção da água, renovando o lençol freático e contribuindo para o meio-ambiente.
 
Engraçado perceber como as pessoas confundem as coisas e querem crer que calçar suas ruas seja sinal de atraso, quando metrópoles espetaculares como Paris mantém imensas avenidas e grande parte de suas ruas internas com esse revestimento há séculos. Não por acaso inexistem notícias de alagamentos e outras calamidades por ali...
 
A questão é, na verdade, outra; calçamento requer cuidado, esmero, na colocação e toma mais tempo. Não se torna uma ferramenta política às vésperas de eleições, não exige grandes intervenções recorrentes, não "faz vista" para o alcaide preguiçoso... Pena que enquanto um permanece por séculos, o outro deteriora-se após as primeiras chuvas, mas quem sabe se não é este o propósito?
 
O tema pode evoluir por diversos outros aspectos visíveis em Maricá, desde o viaduto mal traçado que exigiu semanas de trabalho de escavadeiras para fazer a água passar-lhe por baixo e poder assim ser alcunhado de ponte quando de sua ruidosa inauguração, até as impensadas alterações no trânsito do Centro responsáveis pelo advento dos engarrafamentos, sem contar as inúmeras proibições de parqueamento que se conjugam com os estacionamentos privados dos amigos da corte. Assim, por falta absoluta de planejamento urbano, fiscalização e cuidado estético, a cidade "incha" demograficamente sem que de fato "cresça" e se fortaleça como destino de qualidade.
 
Os royalties do petróleo transformaram Maricá em cidade com muito recurso, mas seu uso, à parte a formação de um fabuloso butim petista sem fiscalização graças a uma Câmara de apaniguados e cooptados, tem sido desastroso para nosso futuro.
 
No apagar das luzes da última legislatura municipal, aquele que foi seguramente a grande exceção política da cidade por sua seriedade, seu perfil combativo e íntegro e sua absoluta independência - é mais que evidente que falo do ex-vereador Claudio Ramos - apresentou um projeto amplo e ambicioso, embora totalmente factível e bem alicerçado por estudos sérios, previsão de origem dos recursos e prazos para sua plena consecução, para Maricá atingir 100% de  coleta e tratamento sanitário do esgoto domiciliar e águas servidas, bem como a universalização da distribuição de água no município em um prazo de quatro a cinco anos a partir da criação da Empresa Municipal de Água e Esgoto e da privatização dos serviços sanitários. Isso faria de Maricá uma das raras cidades brasileiras com essa marca, número que mal alcança os dedos de uma só mão em um país onde apenas 46% dos municípios têm algum índice diferente de zero nesse quesito, o que explica a tragédia da saúde pública que ceifa as camadas menos favorecidas.
 
Apenas o fisiologismo e o ranço político que permeia aquela casa de leis assemelhada aos piores bordéis pode explicar o automático engavetamento da proposta; "difícil apresentar um projeto de lei desta ordem...pela autoria..." disse candidamente o representante da ave etílica. Seria até cômico, não fosse trágico perceber tanta miopia, tanta má-fé, tanto desvario administrativo.
 
Invasão de áreas nobres pelo comércio irregular - a eterna vocação para a birosca e para a camelotagem que nada mais é que a venda de produto roubado, seja contrabando (roubo de fronteira), patente (falsificação) ou carga (genuíno sem comprovação de origem) - que além de não gerar divisas ainda  emporcalha a cidade. Crescimento do trânsito de drogados e mendigos pelas ruas e praças, coisa que não havia em Maricá. Profusão de inúteis de uma Guarda Municipal especializada em conversas ao celular e inépcia por absoluta falta de treinamento e/ou supervisão e metas claras. Poderíamos seguir enumerando mazelas nessa linda e maltratada Maricá, tantos e por tão longo tempo se sucedem os equívocos.
 
Daí meu lamento. Daí minha certeza de que podia e devia estar muito melhor, próximo do ótimo, sem muito esforço, mas faltam vontade e políticos mais que vontade política como se costuma dizer nas conversas; vontade genuína para abraçar o caminho honrado e demonstrar amor pelo chão em que vive e políticos de estirpe, homens de bem cuja atitude reflita os anseios daqueles a quem representam. Mais ainda, falta visão, falta grandeza, falta alma...
 
Quem sabe as urnas possam soprar os ventos da mudança e nos colocar no rumo certo? Afinal, Maricá pode não ter tantas décadas mais para perder antes de se tornar inviável sua cura...
 

quarta-feira, 9 de julho de 2014

7x1 - NO BRASIL DEU PT EM TUDO...

Há algum tempo afirmei que o Brasil enfrenta, em pleno século XXI, uma tragédia sanitária de proporções bíblicas que o mundo resolveu no século XIV. Trata-se de um assunto sério, seríssimo, mas assim mesmo passaremos muitos dias, meses talvez, assistindo e lendo intermináveis debates sobre a tragédia do Mineirão.
 
Questão de momento, de interesse coletivo, dirão alguns; questão de cultura, atemporal, direi. Reflexo deprimente de uma sociedade cujos valores alcançaram tal estágio de deterioração que a morte tornou-se banal, mas uma derrota esportiva comove e deprime o país inteiro...
 
Claro que o futebol é uma paixão nacional e não somente aqui, trata-se de fenômeno mundial no âmbito esportivo. No âmbito esportivo! Há vida real, questões de superior relevância nos mais distintos aspectos da vida real que requerem muito maior atenção, muito mais esforço, infinitamente mais recursos e cuidados que um mero jogo.
 
Ah! Que ilusão a minha! Um país em que o viés político permeia tudo e em qualquer esfera; uma sociedade sufocada, manietada, quase que condenada ao ontem pela teia ideológica da estupidez coletiva programada, torna-se doente terminal. Pela pior  miopia, por uma viral incapacidade de percepção do ambiente que lhe cerca e de tudo o que lhe é negado, o povo brasileiro segue seu martírio qual o gado nos currais do abatedouro: bovinamente pacífico.
 
Iludido desde sempre por pequenas migalhas, confortando-se com o sonho do amanhã prometido que jamais é alcançado, o brasileiro cresce cada vez mais iletrado, cada dia mais alienado e nem se dá conta do quanto seu futuro lhe é roubado.
 
Sem grande convicção reclama da saúde, muito mais pela fila de espera no sistema público ou pelas limitações impostas pelos planos privados que pelas razões estruturais que lhe impõem o calvário, mas não se faz ouvir e não exige serviços à altura do que lhe é cobrado em impostos. Não percebe o quanto a saúde é essencialmente uma questão sanitária e que fora deste foco tudo é paliativo, tudo vai ao efeito desprezando a causa.
 
Hipnotizadas por uma mídia majoritariamente chapa branca graças às propagandas oficiais que representam a maior verba publicitária do país, as classes C e D e pequenas parcelas cooptadas de A e B aplaudem e referendam uma colcha política corrupta, viciada, sem projetos outros que não os de enriquecimento pessoal; aqueles primeiros por conta de sua ignorância, de seu desconhecimento bruto quase atávico, enquanto estes mais favorecidos pelas fortunas da vida o fazem por oportunismo e vantagens, mas uns pelos outros fazendo perpetuar-se um tecido político podre, uma ideologia tão anacrônica e tão fracassada historicamente quanto incompetente na gestão das coisas públicas.
 
Sanitarismo/Saúde, Educação, Infraestrutura e Segurança. Em cada um dos pontos essenciais que respondem pelo desenvolvimento de uma nação e garantem um verdadeiro estado de bem estar social e perspectivas justas de crescimento individual para todos, surge cristalizada a certeza da perda total. 
 
Na infame sopa de letras que costura essa maldita ditadura da esquerda brasileira - essa geléia vermelha tão ímpar, tão única, que nos faz um incompreensível país onde comunistas e socialistas com um extenso passado vinculado a ações criminosas e operações de guerrilha são reverenciados como defensores da democracia - tudo o que emerge e salta aos olhos é a realidade PT, é esse quadro da mais absoluta derrota.
 
Os caminhos da existência são misteriosos, são desconhecidos. Talvez isso explique a ruptura do único amálgama do povo brasileiro como um caminho, o mais doído, mas também aquele capaz de fazê-lo enxergar que não há nada, não há rigorosamente nada mais que nos permita ser brasileiros com muito orgulho, com muito amor.
 
É preciso rasgar por completo essa cartilha, mudar a essência, exigir direitos, expurgar tantos erros recorrentes, rejeitar as esmolas e os sonhos para, enfim, escolher o caminho do trabalho, do mérito, do esforço individual e coletivo e dos exemplos comprovadamente vitoriosos, porque no Brasil que aí está...  
 
Deu PT mesmo! Deu perda total!
 
 
 
 
 

segunda-feira, 16 de junho de 2014

O FUTEBOL, A COPA E O BRASIL

Desde antes da primeira conquista brasileira em 1958 na Suécia, o Brasil já se insinuava como um berço do futebol-arte, mas nos faltava, como sempre nos faltou, a organização fora das quatro linhas. Ainda assim, no entanto, mesmo com as inúmeras carências estruturais que persistem até os dias de hoje, o Brasil foi aos poucos se impondo como grande celeiro de virtuoses, de craques na verdadeira acepção da palavra. Aqui surgiam talentos às pencas, pelos campinhos de pelada, pelas várzeas, pelas praias e pelos clubes, sempre com o viés do virtuosismo, da habilidade, do talento puro.
 
Veio a era Pelé/Garrincha e com os dois gênios da bola uma geração inesquecível que encantou o universo do futebol e cunhou para sempre o Brasil como o país do futebol, eterno favorito às conquistas. Por décadas fomos exatamente o que diziam de nós e oferecemos centenas de grandes jogadores aos quatro cantos do planeta.
 
É difícil dizer, precisar, quando exatamente esse quadro começa a mudar e passa a frequentar uma realidade paralela, uma certeza ainda habitando nosso inconsciente coletivo, mas cada vez mais afastada da verdade dos campos. Talvez tenha sido no início dos anos 1990, quando foram desaparecendo os campinhos, a várzea sendo  substituída por condomínios, mas eu particularmente entendo que esse processo  começou quando os clubes, as  federações e a confederação mantiveram os olhos vendados diante do despreparo daqueles que conduziam nosso trabalho de base, fizeram vista grossa à total falta de estrutura mínima para a prática do esporte, aprovando campos e estádios sem  condição de receber jogos, profissionais ou não.

Sempre foi voz corrente que a habilidade do jogador brasileiro advinha dessa dificuldade vivida nos campos esburacados dos nossos campeonatos, mas nossa habilidade nascia na liberdade de criar sem as censuras que hoje são a tônica das escolinhas de base...
 
Assim, enquanto a Europa busca se aprimorar nos fundamentos do esporte, constrói bons e bem cuidados estádios com tapetes de grama onde a bola rola macia, aqui são ignorados os fundamentos, os equipamentos e, o que é pior, o cliente que a tudo sustenta. Estádios de segunda e terceira categoria, gramados que mal podem ser assim nominados, árbitros amadores regendo atletas profissionais, empresários e atravessadores dominando por completo o cenário de clubes e federações, além de um enorme e crítico distanciamento da evolução tática vivida fora do país.
 
De repente, em lugar de Zizinho, Zito, Didi, Gérson e tantos outros, começam a habitar nossos campos os "cabeças de bagre" - os tais  cabeças de área - e os "armandinhos", essa turma do futebol caranguejo que se desloca para os lados e mal consegue atingir a área adversária. Em lugar da antiga profusão de atacantes, eméritos dribladores e implacáveis goleadores, o Brasil começa a produzir grossos vigorosos, corredores sem cérebro, deuses da raça, todos incentivados pelos intrépidos "professores"...
 
Some-se a tudo isso o crescimento alucinante de uma nova categoria de jogadores a trazer para dentro dos campos uma perigosa mistura de valores nem sempre das mais verdadeiras ou produtivas, que resulta em um cinzento quadro de mediocridade técnica. De uma hora para outra não é mais o talento que define o ingresso do jovem, mas o empresário de maior rede de influência, ou o lobby dos atletas de Cristo, ou o da imprensa e o das "torcidas" organizadas, esse antro de marginais que se apresenta em facções como os criminosos e como tal agem dentro e fora dos estádios sob o beneplácito de autoridades e dirigentes que deles se utilizam para seus próprios interesses políticos.
 
Paralelamente a tudo isso, o esporte cresce em importância mercadológica pelo mundo e movimenta mais e mais milhões em patrocínios, transmissão televisiva, direitos de imagem, público e transferências de atletas. Nossos campeonatos, antes palco de talentos e grandes multidões  se esvaziam e se apequenam, todos os poucos - e também os potenciais - talentos deixam o país para jogar em qualquer lugar do exterior. Aqui se estabelece um padrão indigente de futebol, retrato fiel do nosso extrato social majoritário e da bandidagem que tomou conta do esporte.
 
Dentro de campo o que hoje vemos já não é mais o desfile de craques de outrora, até porque a imprensa, em sua grande maioria, perdeu as referências do que seja um craque e assim denomina qualquer cidadão uniformizado que esteja dentro de campo, não importando seu desempenho. Basta uma tarde feliz de um desses e a imprensa já começa a incensá-lo como um fora de série.

Hoje o campo abriga uma esmagadora maioria de praticantes de um futebol cafajeste, sem respeito à essência ou  à tradição de nossa história, pequeno sob todos os parâmetros do nosso glorioso passado. Dentro das quatro linhas fala-se o idioma das favelas, o dialeto dos traficantes, sem nenhum pudor. As atitudes são igualmente cafajestes; simula-se, agride-se, desrespeita-se a tudo e a todos sem qualquer distinção de camisa. As raras exceções apenas confirmam a regra dominante ao destoar na paisagem.
 
O que deveria ser "fair-play" é de fato um acinte, um deboche em que uma jogada interrompida por uma simulação é depois "devolvida" ao adversário que realmente foi cavalheiro a sessenta metros do seu local de origem. A suposta dor nada mais era que um artifício para evitar um ataque, um perigo. Um simples movimento de mãos ou de braços sem qualquer contato com o corpo adversário gera um mergulho em estertor de morte, rosto coberto e indignação rampante sobre as fracas arbitragens.
 
Dos noventa minutos de jogo, o público raramente recebe mais que trinta ou trinta e cinco minutos de bola em jogo, tantas são as paralisações, como se não fosse o futebol um esporte de contato. Os tais "jogadores" testam os limites dos árbitros e sua capacidade para conduzir as partidas desde o primeiro minuto e são capazes de entradas criminosas sobre colegas de profissão em nome da tal raça, do "espírito" de competição, pela certeza de que suas punições serão tão brandas quanto a conivência de seus treinadores.
 
Em média, o futebol brasileiro de nossos dias apresenta cerca de quarenta ou mais faltas por partida e um absurdo número de passes errados próximo da casa da centena em muitos jogos. Estamos falando de passe de metro, metro e meio; passe que é o primeiro fundamento do esporte! Isso sem falar dos chutes em que a bola sequer pode ser enquadrada na mesma foto da baliza e de cruzamentos que nada mais são que chutes sem direção, sem qualquer pretensão de encontrar algum companheiro de equipe...
 
A Copa no Brasil traz um cenário inédito de campos perfeitos, lisos e estádios minimamente confortáveis, ainda que inacabados, mas deixa no ar aquelas dúvidas incômodas: serão um dia finalizados? os campos continuarão perfeitos? haverá manutenção, essa coisa desconhecida de nossas administrações?

Por outro lado, a Copa do Mundo pode até nos presentear com mais um título e é esse o desejo de boa parte dos brasileiros, apesar da  nossa indignação pela corrupção evidente, pelo descaso das autoridades com os compromissos assumidos e, principalmente, com aquele que deveria ser o maior beneficiado pelo evento: o cidadão que bancou a festa com seus impostos.
 
Só que essa conquista, caso ocorra, em nada alterará a realidade do nosso futebol: já não somos mais o grande celeiro de virtuosos, já não produzimos craques em profusão e por todos os lados, já não apresentamos fenômenos a qualquer momento. Não, definitivamente não. Hoje o que mostramos ao mundo é um universo corrompido, degradado, afastado dos princípios morais que deveriam reger todo e qualquer esporte, apesar de haver um minguado sinal de reação com o natimorto movimento  "Bom Senso Futebol Clube" que, capitaneado por algumas raridades ainda presentes em nosso cotidiano, imaginava poder mudar este cenário aterrador que envergonha nossa história tão vencedora, tão admirada.
 
A crua realidade é essa: o nítido reflexo de uma sociedade claramente esfacelada em seus valores morais, deteriorada em seu tecido humano por uma politica imoral, amoral e anacrônica que lhe impõe um atraso educacional e cultural de dimensão bíblica e contribui para um assustador distanciamento do mundo civilizado.
 
Nesse país onde a morte foi banalizada, onde as liberdades se esvaem pelas trevas ideológicas de um poder corrompido em sua essência, onde os valores e as instituições mais preciosas foram relegados ao abandono e à negação, o que fica é a tristeza de nos ver praticar esse futebol cafajeste em lugar daquele que um dia fez o mundo nos reverenciar como berço da arte no futebol.

Quem sabe a seleção pode nos resgatar a imagem dentro de campo?

Pelo menos nas arquibancadas o brasileiro recupera seu senso crítico e manifesta seu repúdio a esse corrupto circo instalado em Brasília; o corrente coro que homenageia o poste petista em todos os estádios do país é mais que revelador, é uma esperança de que a sociedade tenha acordado e esteja pronta para defenestrar essa ditadura petista pelo grito das urnas.   

quarta-feira, 7 de maio de 2014

ENTRE SÊNECA, RUI BARBOSA E EDMUND BURKE





“Não há bons ventos para quem não sabe para onde ir.” Sêneca

Mais atual que nunca, a frase de Sêneca nos serve para demonstrar a falta de rumos da sociedade brasileira. Soterrada pela mais absoluta falência moral, banalizada em seus valores mais elementares quando se percebe maior dimensão e repercussão no reles episódio de uma banana – ainda que deglutida com ironia e personalidade – que na perda de uma vida pela estupidez escatológica do objeto atirado, eis que essa sociedade não consegue discernir escalas de importância mesmo que no mesmo cenário de alienação.

Nosso país vive há anos um quadro de guerra civil sem precedentes e sem parâmetros fora dos cenários de conflito no mundo; são mais de cinquenta mil mortes/ano entre trânsito urbano, estradas, tragédias de periferias e um sistema de saúde criminoso, mas os intrépidos dirigentes políticos embandeirados do vermelho de diferentes siglas dessa sopa de letrinhas autodenominadas partidos planejam suas permanências no circo e se lhes importa mais o butim de amanhã que os descalabros revelados de ontem. Com isso, somos o anúncio de vexames garantidos frente ao mundo, quando assistimos aos escandalosos descompassos no cumprimento de contratos jamais honrados para realizar eventos do porte de uma Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos, ambos a poucos passos de confirmar nossa eterna vocação para o fracasso da competência, mas sucesso pleno da corrupção.

Que nação pretenderia construir essa sociedade que cala diante de tantos desvios, que aceita toda e qualquer mentira passivamente, que convive com um total desrespeito pela vida, pela propriedade, pelos critérios de justiça e pelos caminhos do mérito? Que ideia de liberdade de expressão pode ter esse tecido social mais favorecido pelas fortunas da vida, quando vê destruírem seu idioma, sua história e até mesmo sua possibilidade de futuro com esse presente execrável que lhe é imposto e não reage, não demonstra indignação, não se organiza para a mudança?

Sinto que de forma acelerada vão se deteriorando um a um todos os pilares que nos foram legados pelas gerações passadas quando ainda havia apreço pela cultura e cultivavam-se valores e mestres.

Nada escapa desse mar de lama em que jogaram o país, nada mesmo,  incluindo-se o povo. O Brasil perdeu totalmente a honra e o senso de decência. Está como um bêbado trôpego sem noção de que caminho seguir.
Um país pode recuperar-se de uma recessão econômica, de um desastre natural, mas é dificílimo escapar de uma decadência moral como a que se verifica atualmente, principalmente tendo uma população em sua maioria inculta e extremamente ignorante e, neste caso, a decadência moral leva à decadência econômica e a uma tragédia de consequências imprevisíveis.”  Rômulo Nogueira

O trecho acima, brilhantemente escrito pelo autor citado e extraído de uma conversação em grupo de debate fechado, demonstra que há, ainda, fagulhas de honradez e de preocupação com os destinos desta nação; ainda restam trincheiras com homens de bem dispostos a lutar para reverter esse processo de pasteurização do amorfo com que a ditadura lulista nos tem acorrentado e amordaçado. A questão é fazer rastilho dessa fagulha e semeá-la em almas íntegras, fazê-las germinar e formar campos de esteio moral que nos reestabeleçam os pilares da república, ou da monarquia, porque não, já que ao tempo de D. Pedro II éramos mais Paris que Bolívia...

“De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra e ter vergonha de ser honesto.” Rui Barbosa (Senado, 1914)

As palavras de Rui Barbosa, o “Águia de Haia”, soam contemporâneas mesmo tendo sido proferidas no alvorecer da república; vislumbrava ali o inigualável tribuno o quanto viria de esfacelamento moral permear a classe política que se formava à sombra dos interesses pessoais. De lá aos nossos dias, com o desmonte sistemático das bases da educação, das raízes do idioma e das referências culturais, o retrato só revelou com mais nitidez nossa falência social.

Mais alguns dias e a nação estará de chuteiras contra o mundo. Nada contra torcer, o futebol está na alma brasileira e contamina todo nosso planeta, esse planeta bola. Não me incluo entre os que desejam a derrota como forma de protesto; é rasteiro demais, pequeno demais, para me seduzir, mas tampouco me iludo com a qualidade atual desse nosso futebol que um dia já encantou a todos.

Entendo que esse universo reflete exemplarmente o esgarçamento de nossos valores e a tibieza de princípios que impera nesse mundo das quatro linhas. A escassez de grandes e verdadeiros talentos surgidos em nossos gramados é espelho cristalino de sua contaminação por exploradores, falsos empresários e até mesmo criminosos, todos ignorando a formação, os fundamentos e os conceitos do esporte e privilegiando a entrada daqueles mais facilmente manipuláveis em sua sanha de lucros fáceis em detrimento da arte e da essência do nosso futebol.

Mesmo assim acredito em superação e, mais que tudo, acredito na mística da camisa amarela promovendo uma fabulosa catarse coletiva porque reivindicar na vitória, exigir em meio à alegria lúdica do futebol, tem ainda mais força que trocar princípios por fracasso inútil  que em nada mudará a essência de um povo tão sofrido quanto negligenciado, apenas o fará chorar mais uma derrota.

A oportunidade é ótima para emprestar volume, para amplificar o repúdio ao que aí está e fazer crescer exponencialmente o grito por mudanças, por novos rumos que nos distanciem dessa insensatez bolivariana, que nos vacine contra esse veneno cubano que essa corja busca inocular em nossas veias.

Resta saber se seremos capazes de superar nossas limitações – tanto aquelas dentro de campo quanto as de fora, as do tecido social roto que hoje temos – e vencer, fomentar desejos e brios, arrebatar almas que entendam ser possível um futuro com luzes.

"Para que o mal triunfe, basta que os homens de bem se calem.”  Edmund Burke                                               

Nas simples, mas cirúrgicas, palavras de Burke residem todas as minhas esperanças de imaginar o amanhã de nossos filhos, os nossos netos e bisnetos, plantado sob o sol da verdadeira democracia, livre, despida de tutelas ideológicas ou de ranços étnicos e, acima de tudo, generosa em oportunidades para quem luta pelo sucesso através da virtude, nunca pelos caminhos do mal.



quarta-feira, 16 de abril de 2014

MARICÁ É UM EXEMPLO

 
O Brasil tem hoje mais de cinco mil municípios espalhados por seu território e a grande maioria deles não possui os requisitos mínimos para  sua independência político-administrativa, sobrevivendo  graças aos repasses federais. Sua multiplicação desenfreada é fruto de uma política equivocada que demorou a ser interrompida e que, recentemente, essa intrépida classe corrompida desde a alma tentou reeditar, mas sem êxito por enquanto. O resultado desse enorme erro foi um gigantesco aumento das despesas federais de sustento e uma irrefreável farra política.
Se olharmos atentamente para os países de primeiro mundo e para aqueles cuja tradição de origem aponta para comportamentos éticos e valores morais mais sólidos, veremos que seu sucesso, no tocante aos índices de qualidade de vida e estrutura social, reside na escolha de modelos mais conservadores no desenvolvimento dos tecidos urbano e demográfico de suas cidades. Qualquer viajante pode atestar isso, bastando deslocar-se entre as cidades da Europa, por exemplo; é fácil perceber quando nos aproximamos de um novo destino pelo simples avistar de sinais urbanos como construções mais próximas, placas, o campanário de uma igreja ao longe a indicar a região central... Em todas elas percebe-se que não são gigantes e nem apresentam enorme densidade populacional. Pelo contrário, a média das grandes cidades pouco ultrapassa a casa do milhão de habitantes e as de menor porte ficam na casa dos milhares, coisa de 50 a 150 mil quando muito. Trata-se de um modelo racional de ocupação que sempre se estabelece em torno de atividades comerciais, agrícolas ou industriais, mas que promovem e mantém seu desenvolvimento de forma ordenada. Até mesmo as grandes metrópoles mantém essa filosofia, com raras distorções surgidas onde houve um crescimento mais exacerbado que culminou nas megalópoles, onde a manutenção desses propósitos é mais difícil e gera distorções nos padrões desejados.
Não tenho aqui a pretensão de aprofundar essa abordagem e tratar em detalhes as megacidades tipo São Paulo, Cidade do México, Nova Délhi, Shangai, New York ou Tóquio, ou abordar suas peculiaridades. A citação serve apenas como pano de fundo para referenciar o tema que desejo tratar aqui.
Maricá possui todos os ingredientes possíveis para ser uma cidade esplendorosa, exuberante em suas riquezas naturais, modelar em seu tecido urbano e insuperável em qualidade de vida. É um município de grande extensão territorial, encontra-se a poucos quilômetros da segunda maior cidade do país – Rio de Janeiro – e com outro grande centro a meio caminho – Niterói – e ainda apresenta uma concentração populacional passível de ser ordenada civilizadamente. Afinal, com pouco mais de 120 mil habitantes entre residentes e flutuantes, Maricá ainda poderia ver realizar sua vocação de exceção nesse país tão disforme, social, econômica e culturalmente falando.
Desgraçadamente, no entanto, uma interminável sucessão de administradores públicos fracos, mal intencionados, desprovidos de visão estrutural, corruptos ou simplesmente a soma de tudo isso, tem condenado Maricá a uma lenta, gradual e quase inexorável destruição de seu possível futuro, enquanto torna o presente um exercício de tolerância, sofrimento e indignação para quem vive em seus limites geográficos por origem ou escolha.
À semelhança de tantas outras cidades – e apesar de todos os vetores que lhe permitiriam a diferença – brasileiras e, em especial, de nosso Estado, Maricá assiste passivamente a um acelerado processo de favelização que se faz acompanhar, como sempre, de uma aguda deterioração do meio ambiente pela criminosa falta de planejamento sanitário, pelo desrespeito à propriedade privada e todas as outras distorções de cunho social e humano que acompanham esse processo capitaneado por interesses políticos escusos, leniência dos poderes e arcabouço legal tíbio.
Não bastasse essa questão da falência de uma pretensa política habitacional jamais implementada, seja no âmbito federal, estadual ou municipal, a má qualidade dos quadros político-administrativos do município conduz a uma interminável série de equívocos: desordem urbana, ausência de planejamento no uso dos recursos, corrupção quase que endêmica e baixos índices de desenvolvimento.
Durante algum tempo foi verdadeiro afirmar que por falta de recursos econômicos Maricá seguia estagnada, sem perspectivas reais de crescimento ordenado, mas há muito esse panorama desapareceu do cenário maricaense e, pelo contrário, os últimos dirigentes da cidade poderiam projetar um futuro sem paralelos, com a garantia dos royalties advindos da exploração de petróleo no litoral fluminense.
O que impede Maricá de ser um exemplo de ordenamento urbano, se não nos falta espaço físico? Porquê não há um plano diretor sanitário desenhado para execução sem hiatos de continuidade de natureza política de qualquer sorte? Porquê a Câmara Municipal não cumpre seu papel de balizar as ações do Executivo e fazê-lo seguir suas diretrizes? Que barreiras poderiam existir para a cidade não oferecer aos seus habitantes serviços públicos de qualidade – limpeza, educação, saúde, transporte e segurança, apenas para ficar no modelo de estado mínimo – e uma rotina de manutenção do conjunto de equipamento urbano compatível com a arrecadação?
Claro que todas essas respostas são fáceis e sobejamente conhecidas pela camada pensante da nossa sociedade. É evidente que não podemos ser ingênuos a ponto de desprezar a nossa realidade, nossa triste constatação do tecido social brasileiro puído. Não é isso.
A revolta, a indignação que nos corrói rotineiramente se alimenta do fato de podermos mudar em pouco tempo essa realidade em nosso quintal e nada ser feito! Não há reação, não há movimentos que venham levantar de forma séria e coordenada as exigências óbvias para a mudança ter lugar! Uma sociedade se torna responsável por seu destino quando deixa transparente o que deseja de seus líderes e os depõe quando estes não atendem suas demandas. É a sociedade, a porção formadora de opinião e desígnios desta sociedade, quem determina o caminho a seguir, não sua camada inerme. Até quando ficaremos assistindo ao caos sem reação?
Maricá é um exemplo. Pena que somente mais um mau exemplo, mais uma vocação perdida pela leniência coletiva, pela acomodação preguiçosa, pelo comportamento umbilical de seus indivíduos em todas as classes e em todos os setores.
Ando pelas ruas, praias, lagoas, montanhas e trilhas desta cidade abençoada pela natureza e ao mesmo tempo amaldiçoada por seus políticos e eleitores com o coração apertado, sangrando.
Meu olhar percebe o que talvez outros não consigam, não queiram ou simplesmente não se lhes importe ver.
Minha visão de uma Maricá excepcional me faz sorrir internamente e chorar sem esperanças de vivê-la.
Minha tristeza é por ter a mais absoluta convicção de que  seria possível,  real e verdadeiro um dia  poder afirmar orgulhosamente: Maricá é um exemplo.

domingo, 23 de março de 2014

ATOLADO EM MENTIRAS, MEIAS-VERDADES E FALÊNCIA MORAL, O BRASIL AGONIZA


Há poucos dias um dos arautos da tragicomédia petista publicou um texto atribuído àquele apedeuta sabidamente incapaz de escrever e ali desenhava-se mais uma das versões do "conto do sonho colorido" com que a quadrilha de plantão no planalto central busca a eternidade palaciana. 
 
Até aqui, é preciso admitir, a estratégia da mentira repetida à exaustão e replicada pela militância zumbi tem dado certo e os mais de 70% de analfabetos vêm sendo alimentados nessa padaria, mas já se pode notar claramente que o barco faz água, tantas são as ratazanas nos porões.
 
Nem vamos aqui discorrer sobre a falência moral maior que foi a virada do mensalão através dos togados do rei, ali colocados com esta missão. No quesito moral há mais falências espalhadas pelo tecido social brasileiro e estas muito mais danosas, porquanto entranhadas no cotidiano e por isso mesmo não percebidas; revelam-se na música, nos costumes, no idioma, no mau uso das liberdades individuais - as poucas que nos restam - e nas relações interpessoais diárias. Trata-se de uma enorme tragédia só reversível pela educação, o que nos deixa hoje sem perspectivas de resgate próximo.
 
Voltando, então, ao ponto inicial, o pseudo artigo afirma ser o Brasil, construído nessa última década - quase doze anos, de fato - sob a dinastia petista, um país que surpreende o mundo com suas conquistas, líder em diversas áreas e com exponencial crescimento.
 
Ora, tirante alguns poucos insumos agrícolas e minerais exportados "in natura" e importados de volta depois de beneficiados no mundo industrializado, somos reconhecidamente líderes apenas na corrupção endêmica e na legislação criminal tíbia. Só para efeito de desmontagem da farsa, pode-se afirmar que NÃO somos o maior produtor mundial de soja (são os EUA, com 88 milhões de toneladas X 82 milhões de toneladas do Brasil em 2013, enquanto a India domina a produção de óleo de soja), mas somos, sim, de café (apenas no grão do tipo arábica, de qualidade inferior) e também grandes em açúcar derivado da cana (que hoje, graças à produção de etanol, importamos), em suco de laranja (uma exceção da iniciativa privada) e em minérios, todos exportados sem beneficiamento para retornarem industrializados (a exceção, aqui, são os aços planos).

As mentiras e a manipulação de dados, sempre em profusão, são facilmente desmascaradas por simples consulta às publicações do IBGE e de outros organismos internacionais idôneos.
 
Dizer que somos produtores de automóveis, máquinas e equipamentos é, no mínimo, uma meia-verdade; somos meros montadores, como tantos outros, sem patentes e sem plantas de desenvolvimento próprio, salvo alguma coisa da Embraer pós-privatização. 
 
O PIB dobrou, é fato, mas o custo foi triplicar a Dívida Interna - já ultrapassa o TRILHÃO DE DÓLARES - e afundar o país em um nó górdio de gargalos estruturais que nos faz perder mais de um terço da produção agrícola nas estradas graças ao desprezo à cabotagem e às vias férreas sucateadas ou não implantadas.
 
Ah!, mas a propaganda oficial, que só difere das Venezuelas e Cubas da vida por ainda não espalharem gigantescas imagens da Anta ou do Molusco por todos os lados (e olha que até tentaram produzir uma lenda com o filmete meia-boca do Barretinho), pinta um cenário de paraíso na terra! Brasil Carinhoso, Minha Casa Minha Vida, Bolsas do diabo a quatro, O desafio é a nossa energia, Minha Casa Melhor, tudo ilha da fantasia quando se constatam os desvios de verba, as casas rachando antes do uso, a inadimplência galopante no crédito farto para consumo idem sem contrapartida nas linhas de produção, a Petrobrás sangrando, a Vale aparelhada e encolhendo e muito mais do mesmo fracasso oculto atrás da peneira.
 
Uma Copa de Mundo ao custo das três últimas copas somadas e Jogos Olímpicos que nos envergonharão mundialmente tanto pelos custos quanto pelos constrangimentos de não ter sido feito sequer metade do apregoado legado dos jogos. Enquanto isso, a FIFA  divulga o maior lucro de sua história - R$ 3,2 bilhões, com R$ 163 milhões de lucro líquido - com essa copa que nem aconteceu e ainda dará muito pano prá manga até acabar. Mais tarde iremos saber o tamanho do rombo olímpico e conviver com esqueletos e ruínas por bom tempo...
 
Os indicadores de desenvolvimento social nos colocam entre os piores do planeta, por mais que a petralhada diga que há uma nova classe média pujante com sua renda um centavo acima do meio salário mínimo (!!!). A saúde é uma hecatombe de proporção bíblica: o Brasil patina ainda hoje em questões sanitárias que o mundo resolveu no século XIX! Menos da metade dos domicílios brasileiros é atendida por água e esgoto tratados; mais de 70% de nossos cursos d'água e mananciais estão contaminados por despejo direto de dejetos, lixo e química.
 
Com eleições à vista, há uma intensa guerrilha de informação e contra-informação nos meios de comunicação, especialmente no mundo virtual, na rede. 
 
Essa é uma guerra diferente e nela o caminho da retomada do nosso país repousa no pior dos inimigos da petralhada e seus acólitos: A VERDADE. 
 
É na massificação da verdade que iremos desmontar a farsa petista.
 
A VERDADE É REVOLUCIONÁRIA!  *


(*)  “A verdade é revolucionária!” foi uma expressão muito instigante cunhada pelo jornalista Políbio Braga em seu vídeo comentário que vale a pena ver e ouvir. 

https://www.youtube.com/watch?v=rRWzlySlUQc